Características terapêuticas do Coaching

 


Antes que alguns se revoltem com o título desta postagem peço a sua leitura atenta e, acho importante esclarecer alguns pontos importantes para começarmos. Quando se usa a palavra Terapia, sabemos que as pessoas estão associando o termo a uma modalidade específica que é a Psicoterapia, realizada por psicólogos. Em primeiro lugar precisamos definir o que seja Terapia.

Segundo o dicionário, terapia é meio ou método usado para tratar determinada doença.

Agora precisamos definir doença. Também segundo o dicionário, doença é:

1. Falta de saúde.

2. Moléstia específica (que ataca animais e vegetais).

3. [Figurado]  Coisa que incomoda. = MAL

Este terceiro significado é muito interessante, pois buscamos um terapeuta quando alguma coisa nos incomoda. Assim, temos inúmeras abordagens terapêuticas para eliminar ou suavizar algo que incomoda, sendo uma delas o Coaching, outra a psicoterapia e mais dezenas de outros tipos. O próprio termo “terapia” provém do grego “therapeutikós” e significa “aquele que cuida de outra pessoa”. Assim, para “cuidar” de outra pessoa precisamos de capacitação adequada que vem de estudos associados à prática. Vamos trabalhar um pouco esta terminologia do “cuidar”. Em Coaching, uma das premissas é a  autorresponsabilidade e ganho de autonomia para conseguir dar conta de seu próprios processos, análises, decisões a ações. Desta forma, o papel do coach é ser parceiro neste processo, com convites de reflexões, estratégias e ferramentas para que as pessoas alcancem seu ponto de equilíbrio. Em um processo bem conduzido de Coaching descobrimos modelos de interpretação de mundo, crenças predominantes, valores essenciais, barreiras para o caminhar, e clareamos questões com base na preciosa guia que nossas emoções nos fornecem. Assim, é mentira pensar ou dizer que o Coaching só se presta a aumento de competências, exploração de potencial e foco em performance. Antes de mais nada, Coaching é um processo de autoconhecimento, onde a pessoa irá ampliar sua visão sobre si própria, seu funcionamento e a partir dai, ganhar autonomia para projetar uma nova forma de ser e de agir.

Desta forma, o Coaching é terapêutico sim, pois é instrumento para eliminar ou diminuir as fontes e sintomas de algo que incomoda. 

 

Mas o Coaching não é, e não pode se atrever a ser psicoterapêutico.

O que diferencia um do outro então? Outro dia estava assistindo um programa sobre os golfinhos. Em determinado momento falaram sobre um determinado peixe que os golfinhos adoram comer. Entretanto, estes peixes costumam vir a superfície para se alimentar. Quando o fazem, usam a estratégia de ficar em um cardume fechado para proteção. Acontece que os golfinhos desenvolveram boas estratégias de caça e como caçam em grupo, alguns ficam girando embaixo do cardume para impedir que ele mergulhe em busca de proteção, enquanto outros vão se alimentando. Esta metáfora fica perfeita para compreendermos a diferença do Coaching para a Psicoterapia. Existem fontes de “coisas que incomodam” que estão próximos a superfície. Outras que em determinados momentos ou quando estimuladas, vêm à superfície. Agora, aqueles outros onde a raiz do problema fica nas profundezas e não vem à superfície, para estes precisamos ora do psicólogo, que trata das funções mentais no comportamento individual e social, estudando também os processos fisiológicos e biológicos que acompanham os comportamentos e funções cognitivas, ora de um psiquiatra cujo foco é o tratamento e reabilitação das diferentes formas de sofrimentos mentais, sejam elas de cunho orgânico ou funcional, com manifestações psicológicas severas. Desta forma, caçar peixes na superfície, ou estimulá-los a subir para caçá-los é tema do Coaching e exige abordagens e técnicas específicas, sutis e complexas. Se o trabalho não for bem feito, o residual de “peixes”, pensamentos, crenças e modelos, podem voltar às profundezas e se reorganizar, ficando mais resistentes e prevenidos à futuras intervenções. Para estes casos, uma boa formação de Coaching, profunda, com número suficiente de horas, material de estudo, prática e supervisão prepara o profissional, em média ,em um ano. Quando saímos da superfície e iniciamos um mergulho, nossos tímpanos sentem a pressão e nos sinalizam. Da mesma forma, o bom coach precisa estar atento às sinalizações que recebe tanto de seu cliente como de seu próprio sistema, mostrando que está saindo de sua zona de competência, e que se avançar, poderá trazer problemas para seu coachee. Não se sinta inferior por não avançar em seu mergulho, mas sinta-se incompetente, no sentido de lhe faltar competências específicas que são de outro profissional. Caçar os peixes nas profundezas, é matéria para aqueles que estudaram Psicologia por cinco anos, fizeram especializações e inúmeras práticas e supervisões.

Conclusão: Coaching ou psicoterapia depende da profundidade onde vamos pescar os problemas. 

Um grande abraço, Luciano Lannes

Editor

Texto retirado do blog Coaching Brasil

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